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sábado, 2 de maio de 2015

A importância histórica do feriado apodiense de 02 de maio - Válter de Brito Guerra


Francisco Ferreira Pinto era filho de Casimiro Ferreira Pinto e Vicência Gomes de Oliveira, o mais velho dos dezoito filhos do casal, Em terras do sítio Merêncio em cujas proximidades nasceu, neste município, no dia 17 de abril de 1895, dedicou-se durante alguns anos a trabalhos da agricultura, não fugindo à tradição da família, toda ela ligada à atividades agrícolas. 

Passando algum tempo, ainda jovem, abandonou as vazantes da lagoa Apodi e as terras do sítio Pequé, onde plantava arroz e pastorava passarinhos, para se dedicar ao ramo comercial, a convite de parentes, que desfrutavam de boa situação social, econômica e política, em Apodi. Iniciou como balconista da firma João Jázimo de Oliveira Pinto, para logo depois passar a sócio, firmando-se mais tarde por conta própria. Nesta nova atividade prosperou rapidamente, graças à sua extraordinária capacidade de trabalho, no qual alimentava suas esperanças de realizações, inclusive em benefício de sua terra. Estimulado pelo seu espírito empreendedor, explorou, também, o setor industrial, instalando uma usina de beneficiamento de algodão nesta cidade, de parceria com seu irmão Lucas Pinto, no ano de 1932. Frequentou a escola do eficiente professor Antônio Laurêncio Dantas, onde aprendeu noções de português, aritmética, história e geografia, relevando admirável inteligência. 

Não teve, entretanto, condições de alcançar estudos de nível mais elevados, condicionado que estava, à situação econômica do pai, pequeno agricultor, sem possibilidade de mandá-lo para um centro mais desenvolvido, onde pudesse aprimorar seu aprendizado. Chico Pinto chegou a suprir, em parte, essa deficiência, através da leitura, adquirindo bons conhecimentos, o que lhe proporcionou meios de proveitoso relacionamento com o mundo social, comercial e político, atividades que abraçou com entusiasmo e disposição de luta. Como político, influenciado por seu parente e protetor João Jázimo, tornou-se um autêntico líder do seu povo, a cujos problemas dedicava grande parte de seu tempo, em busca de solução. Ao assumir uma cadeira de Deputado Estadual, conseguiu diversos melhoramentos para o município, inclusive serviço telefônico para a vila Itaú, escolas, campo de aviação para esta cidade, não tendo sido inaugurado devido a eclosão do movimento revolucionário de 1930. 

Como Prefeito Municipal realizou obras de grande importância, merecendo destaque a construção do prédio para funcionamento da Prefeitura, cadeia Pública, criou banda de música, instituiu sociedade literária, dando-lhe sede própria, além de outros melhoramentos que marcaram sua ação administrativa em benefício da coletividade, desenvolvida no período de 1927 a 1930. Herdara o tradicional prestígio da família Pinto, principalmente legado pela respeitável figura do Coronel Antônio Ferreira Pinto, exemplo de honradez, dignidade e espírito Público. 

O Coronel Antônio Ferreira Pinto foi o mais habilidoso politico do Apodi em todos os tempos. Foi eleito varias vezes aos cargos de Deputado Estadual e Presidente da Intendência Municipal, o que atesta seu indiscutível prestígio eleitoral em Apodi, no Império e na República. Sempre respeitado por correligionário e adversários, o Coronel Ferreira Pinto soube cultivar um universo de afetivas amizades, ao longo de sua proveitosa existência, sempre voltada para o bem, o que lhe assegurava o predomínio no campo das lutas eleitorais, itinerário que trilhou com segurança até o final de sua carreira política, encerrada com sua morte, em 1909, aos 71 anos de idade.

Ao lado dos amigos, aos quais dedicava consideração e lealdade, Chico Pinto lutou sem medo, contra os abusos das interventorias revolucionárias instalada no estado, após o movimento de 1930, enfrentando violências e perigos de ferrenhos adversários. Sua coragem e seu entusiasmo nas lutas políticas, contra um sistema de governo autoritário e violento, lhe custaram sérias, e contundentes perseguições. Conforme foi relatado, Chico Pinto preso, antes da revolução de 1930, por um grupo de cangaceiros, em maio de 1927, que aqui veio com a finalidade de assassiná-lo, por questões políticas, surgidas naquela época. No mês de Julho de 1933 , foi intimado a comparecer à presença do representante do Interventor Mário Câmara, neste município, senhor Benedito Dantas Saldanha, para justificar supostas críticas por ele feitas ao sistema de governo que estava sendo adotado no Rio Grande do Norte, fincando preso numa das selas da cadeia Pública de Apodi.

No dia 2 de maio de 1934, foi assassinado no seu próprio lar, quando se recolhia para dormir. Terminara a costumeira prosa na calçada de sua residência, onde, todas as noites, reuniam-se correligionários e amigos de sua intimidade. Nessas ocasiões, como era natural, predominavam assuntos de natureza políticas. Alguns participantes da habitual reunião ainda não havia se distanciado muito do local do crime, quando foram alertados pelo tiro fatal. Ao retornarem apressadamente a casa do amigo, já o encontraram sem vida, prostrado ao solo.

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